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Radtke Advogados

Financiamento de imóvel: por que a parcela quase não reduz o saldo devedor no início

Dr. Eduardo Radtke, advogado responsável pelo escritório

Dr. Eduardo Radtke  /  MAIO 19, 2026  /  BANCÁRIO

Diferente do financiamento de veículo, o financiamento de imóvel costuma se estender por muitos anos — e isso muda completamente a forma como os juros afetam o contrato. É comum o cliente perceber, ao consultar o extrato após os primeiros anos de pagamento, que o saldo devedor praticamente não diminuiu, mesmo com todas as parcelas em dia.

Como funciona a amortização no financiamento de imóvel

Na maioria dos financiamentos imobiliários, é usada a Tabela Price ou o Sistema de Amortização Constante (SAC). Em ambos, os juros incidem sobre o saldo devedor ainda existente. Como esse saldo é maior no início do contrato, boa parte do valor pago nas primeiras parcelas corresponde a juros — não à redução do valor emprestado. Só depois de alguns anos é que a proporção começa a se inverter, e mais do pagamento passa a abater o saldo.

Isso, por si só, não significa abuso

Esse comportamento é esperado em qualquer financiamento de longo prazo — não é, isoladamente, sinal de irregularidade. O ponto de atenção real é a taxa de juros aplicada ao contrato. Quando essa taxa está significativamente acima da taxa média divulgada pelo Banco Central para financiamento imobiliário no período da contratação, isso pode indicar abusividade e justificar uma revisão.

A revisão pode ser pedida em qualquer fase do contrato

Não é preciso esperar o financiamento terminar para buscar a revisão — ela pode ser pedida enquanto o contrato ainda está em andamento, e também depois de quitado. Se for identificada abusividade na taxa aplicada, é possível pedir o recálculo do saldo devedor e a restituição de valores pagos a mais ao longo dos anos.

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Perguntas Frequentes

Porque os juros incidem sobre o saldo devedor, que é maior no início do contrato. Boa parte do valor pago nas primeiras parcelas corresponde a juros, não à redução do valor emprestado.

Não necessariamente. Esse comportamento é esperado em qualquer financiamento de longo prazo. O que precisa ser analisado é se a taxa de juros aplicada está acima da média de mercado.

Na Tabela Price, as parcelas costumam ser fixas ao longo do contrato. No SAC, a amortização é constante e a parcela tende a diminuir com o tempo. Em ambos, os juros incidem sobre o saldo devedor remanescente.

É preciso comparar a taxa do seu contrato com a taxa média divulgada pelo Banco Central para financiamento imobiliário no período da contratação. Um advogado especializado pode fazer essa análise.

Sim. A revisão pode ser pedida em qualquer fase do financiamento, seja no início, no meio ou depois de quitado.

Se for identificada abusividade na taxa aplicada, é possível pedir o recálculo do saldo devedor, o que pode impactar as parcelas futuras e também gerar restituição de valores já pagos.

Sim. Contratos já encerrados também podem ser analisados, e se houver irregularidade, o cliente pode pedir a restituição dos valores pagos a mais.

Varia conforme a complexidade do contrato e a quantidade de anos de pagamento a serem analisados.

O contrato de financiamento e o extrato com o histórico de pagamentos e saldo devedor são os documentos principais para essa análise.

O primeiro passo é reunir o contrato e o extrato de pagamentos, e buscar uma avaliação com um advogado especializado, que vai analisar se há elementos de abusividade no seu caso específico.

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Dr. Eduardo Radtke, advogado responsável pelo escritório

Dr. Radtke

Advogado – Especialista em Direito Bancário e Previdenciário – Fundador da Radtke Advogados.

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